Dissertações

A Intergeracionalidade na Violência por Parceiros Íntimos: Revisão Sistemática

Autoras: Maria Clarice de Souza, Elza Berger Salema Coelho e Anne Caroline Luz Grüdtner da Silva

A violência por parceiro íntimo é um problema global de saúde, que vitimiza ambos os sexos e não exclui nível social, econômico, religioso ou cultural específico. Entre os principais desafios para os estudiosos que buscam compreender e prevenir a violência está a identificação de fatores relacionados à intergeracionalidade. Esta é entendida como o repasse, através do conteúdo geracional, de determinados fenômenos que são transmitidos de uma geração a outra e fazem com que modelos de relacionamentos violentos se perpetuem. Esta dissertação foi realizada com objetivo de identificar a natureza da violência praticada e os métodos utilizados para analisar a intergeracionalidade na violência por parceiro íntimo, por meio de revisão sistemática de artigos científicos publicados até maio de 2014 nas bases de dados LILACS, PsyNET, PubMed e SciELO, sendo selecionados os artigos publicados sobre a temática, em todos os idiomas. Foram analisadas as características bibliométricas dos artigos, a amostra, aspectos metodológicos e a natureza dos atos de violência perpetrados por parceiros íntimos. Dos artigos selecionados, 18 foram objeto de análise, os quais abordavam a intergeracionalidade na violência por parceiros íntimos. Assim, ao estudar a intergeracionalidade na violência por parceiros íntimos, foram identificados os atos no processo de perpetuação da violência e ficou claro que a repetição de situações vivenciadas em gerações passadas transfere o padrão de  comportamento violento. Os principais tipos de estudos foram longitudinais e transversais e a entrevista foi a técnica mais utilizada. Todos os artigos evidenciaram aspectos que revelam a intergeracionalidade da violência perpetrada por parceiro íntimo e os resultados foram expressivos ao identificar que a exposição à violência na infância é um fator chave para influenciar na violência por parceiro íntimo na vida adulta. Como resultado, este trabalho se revela importante, pois foi possível evidenciar o histórico da intergeracionalidade da violência, a natureza da violência transmitida com mais frequência e, acima de tudo, pode-se identificar que, em sua maioria, a violência entre parceiros íntimos é cometida pelo homem.

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Prevalência e os Fatores Associados da Violência Psicológica em Mulheres Durante a Gestação em Capital no Sul do Brasil

Autoras: Maria Raquel Moretti Pires, Elza Berger Salema Coelho e Carolina Carvalho Bonsoni

A violência contra a mulher é uma violação dos Direitos Humanos e um grave problema de Saúde Pública e Segurança Pública, cuja prevenção, detecção precoce, intervenção e tratamento dos agravos resultantes devem ser encarados como responsabilidade do Estado e da sociedade. A violência psicológica no período gestacional pode ser vista com grande dificuldade de enfrentamento já que por muitas vezes, tal tipo de violência se mostra de maneira velada ou silenciosa e não deixa marcas físicas, o que dificulta a procura das delegacias para que se registre a denúncia. Esta pesquisa teve por objetivo Investigar a prevalência e os fatores associados de violência psicológica em mulheres durante o período gestacional a partir de um banco de dados secundários, nos setores de alojamento conjunto das 3 maternidades públicas existentes na Grande Florianópolis. Participaram deste estudo 753 mulheres puérperas, de qualquer faixa etária, cujos filhos nasceram no período compreendido entre 01/03/14 a 31/05/14 e mulheres que tiveram filhos natimortos também foram incluídas na pesquisa. A amostra foi calculada pela fórmula de cálculo de estudo de prevalência, no programa OpenEpiR (Open Source Epidemiologic Statistics for Public Health) Version 2.3.1. Foi adotado questionário adaptado da Organização Mundial da Saúde (OMS) denominado – Estudo Multi-Países sobre Saúde da Mulher e Violência Doméstica (World Health Organization Violence Against Women – WHO VAW), validado no Brasil. Os resultados desse projeto serão apresentados em forma de artigo científico, que após a avaliação da banca examinadora da dissertação, será submetido ao periódico Saúde & Transformação Social. Como resultado dessa pesquisa verificou-se que a prevalência de violência psicológica na gestação foi de 17,5%. Sofrer violência em gestações anteriores e nos 12 meses que antecederam a gestação aumenta em 15,85 e 12,75 vezes as chances de sofrer violência psicológica durante a gestação, respectivamente, quando comparadas com mulheres que não sofreram esse tipo de agressão. Sofrer violência psicológica (insulto, humilhação ou ameaça) por outra pessoa, que não o parceiro íntimo, na gestação, aumenta em 7,44 vezes as chances quando ocorreu por parte de algum familiar. Conclui-se dessa maneira que, foram estimadas prevalências elevadas de violência psicológica durante a gestação e fatores associados relevantes para que profissionais que atendem essas demandas possam diagnosticar e enfrentar a violência psicológica em seu cotidiano profissional.

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Violência no Trabalho com Profissionais do Programa de Saúde da Família no Estado de Amazonas

Autoras: Beatriz Gomes Molinos e Elza Berger Salema Coelho

Introdução: violência no trabalho é compreendida como uma forma negativa de comportamento ou ação na relação entre duas ou mais pessoas, caracterizado por agressividade, por ser inesperado e, às vezes, repetitivo, e que é prejudicial para a segurança, saúde e bem-estar de trabalhadores no seu local de trabalho. As  prevalências de violência em nossa sociedade têm aumentado já sendo considerado um problema de saúde pública, seu estudo é essencial para a promoção de políticas públicas e adoção de práticas para prevenção e alternativas de soluções. Objetivo: Identificar episódios de violência com prejuízo da integridade física, ou agressões de ordem moral e/ou psicológica e a percepção destes quanto às condições de segurança e prevenção da violência no trabalho sofrida pelos profissionais da Estratégia Saúde da Família que atuam nos serviços de saúde dos municípios de Coari, Manacapuru, Parintins, São Gabriel da Cachoeira do estado do Amazonas sob a ótica dos profissionais médicos, enfermeiros, dentistas, agentes comunitários da saúde. Metodologia: Pesquisa exploratória, descritiva, de abordagem quantitativa, que buscou caracterizar os episódios de violência no trabalho dos profissionais da ESF do Amazonas. O instrumento aplicado para coleta de dados foi um questionário semi-estruturado adaptado, utilizado no American Federation of State, County and Municipal Employees (AFSCME) Survey of Violence in the Workplace for Health Care Workers. Os dados obtidos foram digitados por terceiros no excel e, para a análise estatística, exportados para o programa Stata SE 9.0.Foram levantadas características como idade, gênero, tempo de formado, local de trabalho, função, vínculo empregatício, tempo de trabalho e ocorrência de violência moral, psicológica ou física para consigo, ou presenciada em seu local de trabalho em relação aos últimos doze meses. Em relação aos resultados foi identificada carência de profissionais das equipes e ocorrência de 10,1% de violência sob forma de ameaças, 8,4% provocação, 4,8% intimidação e 5,7% assédio sexual. Todos foram perpetrados contra mulheres. Os profissionais não consideram seu local de trabalho seguro e 81,2% não foram treinados para reconhecer e agir frente a situações de violência.

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A Violência Contra a Mulher por Parceiro Íntimo em Artigos Científicos: Uma Revisão Sistemática do Período 2003-2007

Autores: Stefanie Frank, Elza Berger Salema Coelho e Antonio Fernando Boing

A partir de uma revisão sistemática para identificar aspectos metodológicos, características bibliométricas e as abordagens da violência contra a mulher em artigos sobre o tema, publicados entre 2003 e 2007 e disponíveis nas bases de dados PsycInfo, Pubmed, Scielo e Lilacs, foram selecionados 171 artigos que abordaram a violência contra a mulher por parceiro íntimo. Observou-se que estes artigos foram publicados, em sua maioria, no idioma inglês (84,2%), em revistas das ciências médicas (49,1%) e com enfoque metodológico quantitativo (86,5%). Foi identificada uma diversidade significativa de países onde os estudos foram realizados, com destaque para a América do Norte (43,9%). Dentre os sujeitos, foram mais pesquisadas mulheres entre 20 e 39 anos, casadas (72,5%) e cujo agressor constituía o parceiro íntimo atual (97,1%). Os sujeitos foram abordados principalmente em amostras por domicílios (30,4%) e em serviços de saúde (29,8%). Em relação à abordagem da violência, houve prevalência da associação dos diferentes tipos, que foram descritos predominantemente por atos e/ou comportamentos de abuso/agressão. Destacou-se a violência física. Foi observada a invisibilidade das formas subjetivas da violência, apesar de ocorrerem sobrepostas aos outros tipos e serem consideradas fatores de risco às agressões físicas. Os resultados sugerem que futuras pesquisas associem diferentes enfoques metodológicos e detalhem as especificidades dos sujeitos, assim como investiguem os abusos emocionais e o controle, e sua relação com a dinâmica de violência

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Violência no Trabalho em Saúde: O Médico Vítima de Violência em Unidades Locais de Saúde, Policlínicas Regionais e Unidades de Pronto-Atendimento do Município de Florianópolis-SC.

Autores: Anne Gabrielle Erdmann, Elza Berger Salema Coelho e Antonio Fernando Boing

Este estudo teve como objetivo identificar a prevalência de episódios de violência contra o médico em Unidades Locais de Saúde, Policlínicas Regionais e Unidades de Pronto-Atendimento do município de Florianópolis-SC, e investigar a percepção deste profissional quanto às condições de segurança e prevenção da violência no trabalho. Realizou-se um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, entre agosto de 2009 e maio de 2010. O instrumento de coleta de dados foi adaptado do questionário estruturado utilizado no Survey of Violence in the Workplace for Health Care Workers, inquérito conduzido com profissionais de saúde nos Estados Unidos da América (AFSCME, 1998). 203 médicos (82,5%) responderam ao questionário; destes, 57,2% atuam em ULSs, 19,1% em Policlínicas e 23,7% nas UPAs. A proporção de médicos que sofreu violência relacionada ao trabalho nos últimos 12 meses foi igual a 85,5%. A prevalência de violência psicológica foi de 84,7%, sendo postura agressiva e comportamento hostil as mais freqüentes. Violência física e violência no trajeto para o trabalho representaram prevalência de 4,9% cada. Os pacientes foram os perpetradores mais freqüentemente mencionados. A maioria considera o local de trabalho inseguro, refere falta de treinamento específico,  desconhece políticas de prevenção à violência e não aciona a polícia ou registra Comunicação de Acidente de Trabalho. Os resultados refletem a vulnerabilidade do médico às diversas formas de violência, em especial à violência psicológica. A segurança do trabalhador em saúde é revelada como uma questão pouco discutida no ambiente de trabalho e a violência subnotificada, dados estes que sustentam a desinformação quanto à dimensão real do problema para a Saúde Pública.

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Direitos Reprodutivos: entre o discurso e a prática na atenção à saúde da mulher com foco no Planejamento Familiar.

Autoras: Sheila Rubia Lindner e Elza Berger Salema Coelho

Este estudo buscou relacionar, enquanto objetivo, o conhecimento e a prática dos profissionais envolvidos na atenção à saúde da mulher sobre a concepção de “Direitos Reprodutivos” tendo como foco o Planejamento Familiar. Baseando-nos em Petchesky, Ávila e Gouveia, para este estudo, “Direitos Reprodutivos” é ter direito à decisão sobre o que se quer na sua vida reprodutiva, direito de escolha em ter ou não filhos, amparados pela lei, a quantidade destes, acesso aos métodos contraceptivos vigentes, acesso à assistência à infertilidade, direito à orientação profissional sobre sexualidade e reprodução e assistência à saúde integral. No intuito de alcançar o objetivo desenvolvemos uma pesquisa qualitativa. Para tanto, utilizamos entrevistas semi-estruturadas e como método de análise, o Discurso do Sujeito Coletivo definido por Lefévre (2003). De acordo com a concepção de “Direitos Reprodutivos” a realidade encontrada nas unidades de saúde, não vem ao encontro desta colocação. Uma vez que, as ações desenvolvidas compartimentalizam a mulher em fases de seu ciclo de vida, principalmente o gravídico-puerperal, prejudicando sua autonomia e marginalizando-as em relação a sua necessidade em saúde, comprometendo, assim, a integralidade em saúde. Como a atenção integral à saúde da mulher é uma das prioridades do Ministério da Saúde, deverá existir um esforço para que este “fazer integral” seja implementado nas unidades de saúde, perfazendo-o nos diversos setores e níveis de assistência, reforçando a prática da referência e contra-referência. Observamos também que em relação ao Planejamento Familiar o que ocorre é a distribuição de contraceptivos e a orientação destes exclusivamente, prejudicando o direito à escolha e à decisão por parte da mulher. Portanto, a orientação ao Planejamento Familiar deve, além da informação sobre o método contraceptivo, abranger orientação sobre sexualidade, reforçando a autonomia e respeitando a necessidade em saúde da mulher. Para que a assistência integral seja garantida, o compromisso do profissional deve ultrapassar a consulta e a demanda espontânea, comprometendo-se em garantir o que é preconizado, implementando a Lei do Planejamento Familiar. Pois, a dissonância entre o que colocado e o que é desenvolvido nas unidades de saúde pelos profissionais, destaca-se como um trabalha baseado na demanda, não refletindo sobre o seu “fazer”, bem como não concretizando o que colocam como importante para a saúde da mulher, que é a autonomia desta enquanto sujeito capaz de escolher e decidir por si mesmo.

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Violência Conjugal sob a Ótica do Casal – Análise dos Inquéritos Policiais de uma Cidade do Sul do Brasil

Autoras: Anne Caroline Luz Grüdtner da Silva, Elza Berger Salema Coelho e Kathie Njaine

A violência perpetrada pelo parceiro íntimo é uma das formas mais comuns de violência contra a mulher, e reflete questões culturais, sociais e de gênero. A dissertação teve como objetivo analisar o perfil dos casais envolvidos em violência doméstica e qual a dinâmica desta violência, a partir do depoimento dos envolvidos. A metodologia utilizada é descritiva com abordagem quanti-qualitativa. Foram selecionados 172 Inquéritos Policiais registrados no ano de 2010, na 6ª Delegacia de Polícia de Proteção à Mulher, à Criança e Adolescente de Florianópolis/Santa Catarina, que investigavam violência contra a mulher cometida pelo parceiro ou ex-parceiro. Nossos resultados serão descritos em 2 artigos, o primeiro intitulado “O que se sabe sobre o autor de violência contra a parceira íntima: uma revisão sistemática”, que apresenta o perfil do parceiro íntimo envolvido em situação de violência contra a mulher encontrado em pesquisas publicadas entre 2000 e 2010, nas bases de dados LILACS, MEDLINE e SciELO. O segundo artigo, intitulado “Violência contra a mulher: o relato dos parceiros no Inquérito Policial”, aborda o perfil dos casais que a mulher denunciou violência na delegacia de Proteção à mulher, e os tipos de violência perpetrada e sofrida por eles. A importância do estudo esteve em revelar as características da violência a partir da visão do homem e da mulher envolvidos no contexto das agressões, ampliando as informações referentes a este tipo de violência.

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Violência Contra o Idoso e Fatores Associados: Estudo de Base Populacional em Florianópolis – SC. Epifloripa Idoso 2009/2010.

Autoras: Carolina Carvalho Bolsoni e Elza Berger Salema Coelho

A proporção de pessoas com idade superior a 60 anos está crescendo mais rapidamente que qualquer outra faixa etária em todo o mundo. Além das perdas biológicas, psicológicas e sociais, o idoso se defronta com as dificuldades do ambiente onde vive e os locais que frequenta. Um tema que vem gerando preocupação é a violência contra o idoso, que no decorrer dos últimos anos, está começando a fazer parte das políticas destinadas a esta população, pois ela traz consequências graves aos mesmos. A dissertação teve como objetivo estimar a prevalência de violência contra idosos e fatores associados, a partir de um estudo transversal realizado na cidade de Florianópolis, SC nos anos de 2009 e 2010. Foram calculadas as prevalências de cada tipo de violência (psicológica, verbal, financeira e física) e verificada a prevalência da violência geral segundo as categorias das variáveis exploratórias. Em seguida, por meio da Regressão Logística, testaram-se os fatores associados à violência geral. Constatou-se que as mulheres relataram sofrer mais violência em relação aos homens. Solteiros(as) ou divorciados(as) apresentaram maior frequência do desfecho. Da mesma forma, a violência foi mais prevalente naqueles indivíduos menos escolarizados, com dependência moderada/grave para realizar suas atividades diárias e percepção de saúde ruim. Indivíduos que moravam sozinhos; com cuidador, filhos ou netos apresentaram maior proporção de violência. Desta forma enfatizamos que são necessárias políticas e planejamento que subsidiem e oferecem estruturas para que os idosos e seus familiares ou cuidadores possam ter um envelhecimento mais saudável, e que desta forma eles sejam menos vítimas de violência.

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