Artigos Científicos

Prevalência de violência física por parceiro íntimo em homens e mulheres de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil: estudo de base populacional

Autores: Sheila Rubia Lindner, Elza Berger Salema Coelho, Carolina Carvalho Bolsoni, Paulo Fernando Rojas e Antonio Fernando Boing

Investigou-se a associação entre sexo e violência física entre parceiros íntimos. Encontrou-se prevalência de sofrer qualquer violência física (17%), violência física moderada (16,6%) e violência física grave (7,3%). Não houve diferença significativa para violência física moderada em homens e mulheres, porém, quanto mais grave o ato maior a ocorrência deste nas mulheres. Por meio de regressão logística testou-se a associação da violência com o sexo, ajustando-se às variáveis exploratórias.  Mulheres de maior idade, viúvas/separadas, pobres, menos escolarizadas e pretas registram maior probabilidade de sofrer violência. Nos homens, a prevalência de violência física grave apresentou alteração significativa apenas para estado civil. Uso abusivo de álcool por mulheres representou maior chance de sofrer violência física.

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Violência conjugal: as controvérsias no relato dos parceiros íntimos em inquéritos policiais

Autoras: Anne Caroline Luz Grüdtner da Silva, Elza Berger Salema Coelho e Kathie Njaine

Este artigo investiga as motivações da violência conjugal segundo os depoimentos de homens e mulheres registrados nos inquéritos policiais (IP) da 6ª Delegacia de Polícia de Proteção à Mulher, à Criança e Adolescente de Florianópolis, Santa Catarina, em 2010. Pesquisa quantiqualitativa realizada entre agosto e novembro de 2011. Foram analisadas as informações obtidas nos inquéritos sobre violência doméstica perpetrada pelo companheiro ou ex-companheiro e que continham o depoimento do casal, totalizando 172 IP. Os aspectos selecionados para a análise referem-se ao perfil do casal, e aos relatos da violência segundo a mulher e o homem. Os resultados apontaram que a maioria dos casais eram separados ou divorciados, com idade entre 31 e 40 anos, estavam empregados e conviveram entre um e onze anos. As agressões ocorreram em função do uso de drogas e ciúme, os homens ao assumirem a violência exercida culpam a mulher de serem responsáveis por seus atos ou minimizam a situação, e acrescentam serem vítimas de violência cometida pela companheira. O estudo conclui que questões culturais de gênero e socioecônomicas estão relacionadas a este tipo de violência, e demonstrou que os homens não reconhecem suas atitudes como violentas, banalizando na maioria das vezes as consequências dessa violência.

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O que se sabe sobre o homem autor de violência contra a parceira íntima: uma revisão sistemática

Autores: Anne Caroline Luz Grüdtner da Silva, Elza Berger Salema Coelho e Rodrigo Otavio Moretti-Pires

Objetivo. Analisar o perfil dos homens envolvidos em situações de violência contra suas parceiras íntimas. Métodos. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura científica internacional publicada entre 2000 e 2010 nas bases de dados LILACS, MEDLINE e SciELO. Dos 3 452 artigos identificados, 33 foram selecionados conforme os critérios de inclusão e exclusão para análise dos dados bibliométricos e das características socioeconômicas do homem acusado de perpetrar violência. Resultados. A maioria dos artigos foi publicada entre os anos de 2007 e 2009, em inglês, com dados informados pela vítima. A violência doméstica associou-se à escolaridade e à situa- ção de trabalho do agressor. O tempo de relacionamento não foi associado à violência doméstica. Conclusões. Há uma importante lacuna na literatura quanto às motivações e aos condicionantes associados a quem perpetra a violência doméstica. O estudo desses fatores é importante para que se estabeleçam políticas de combate a esse tipo de violência.

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O discurso e a prática de médicos sobre Direitos Reprodutivos

Autoras: Sheila Rubia Lindner, Elza Berger Salema Coelho e Fátima Büchele

Este artigo objetiva investigar o conhecimento e a prática dos profissionais médicos envolvidos na atenção à saúde da mulher sobre a concepção de direitos reprodutivos, tendo como foco o Planejamento Familiar. Desenvolve-se pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, e como método de análise, o Discurso do Sujeito Coletivo proposto por Lefévre (2003). Evidenciou-se, a partir do discurso médico, que relacionado ao Planejamento Familiar ocorre distribuição de anticonceptivos seguida exclusivamente de orientação desse método, prejudicando o direito à escolha e autonomia da mulher, marginalizando-as em relação a sua integralidade em saúde. Para que a assistência integral seja garantida, o compromisso do profissional deve ultrapassar a consulta e a demanda espontânea, comprometendo-se em garantir o que é
preconizado, fazendo valer a Lei do Planejamento Familiar. Isso evidencia a dissonância entre o discurso e o que é praticado nas unidades de saúde pelos profissionais, ou seja, o trabalho baseado na demanda, que não reflete o “fazer” e não busca a autonomia da mulher enquanto sujeito capaz de escolher e decidir por si mesmo.

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Conhecimento e Atitudes de Mulheres sobre AIDS: uma difícil negociação

Autores: Alessandra Scherer, Elza Berger Salema Coelho e Carlos Frederico Tourinho dos Santos

Este estudo investigou o conhecimento e atitudes em relação à AIDS de mulheres acima de 50 anos. Participaram do estudo mulheres do Núcleo de Estudos da Terceira Idade – NETI, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Para alcançar os objetivos propostos, optou-se por realizar uma pesquisa descritivo-exploratória com abordagem qualitativa. Foi utilizada a entrevista semi-estruturada, enquanto técnica de coleta de dados. Identificou-se que o conhecimento em relação à AIDS e as atitudes de risco frente à doença, decorrem da permanência da concepção de grupos de risco, da dinâmica de poder inerente às relações de gênero em nossa sociedade, bem como da falta de efetivação e de sustentabilidade das políticas públicas de prevenção à AIDS que atinjam com eficácia este segmento da população, assim como
de estratégias que operacionalizem de forma efetiva tais políticas.

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